O Rio Cunene em Angola


Os sistemas fluviais de Angola se dividem em duas categorias principais. A primeira é composta pelos rios costeiros que drenam as terras altas centrais e ocidentais, fluindo rapidamente em direção ao oceano Atlântico através de escarpas íngremes. Esses rios, geralmente curtos e altamente erosivos, transportam grandes volumes de sedimentos e, em alguns casos, a retroerosão resultou na formação de bacias menores, como os anfiteatros do Alto Queve e Catumbela. A biogeografia das drenagens fluviais associadas a esses rios, notavelmente o Congo, Cuanza e Cunene, é bastante significativa, embora a maioria dos rios ao sul de Benguela seja efêmera.


O Rio Cunene, também conhecido como Kunene na grafia namibiana, é um importante rio perene no sul da África, desempenhando um papel crucial na geografia, economia e ecologia de Angola e da Namíbia. Esta nota detalha suas características, incluindo comprimento, área da bacia, vazão, curso, tributários, navegabilidade e usos econômicos e ecológicos, com foco em sua importância para o desenvolvimento sustentável e os desafios enfrentados, com base em informações disponíveis de várias fontes.

Localização e Curso

O Rio Cunene tem sua origem a 32 km (20 milhas) a nordeste de Huambo, no centro-oeste de Angola, a uma altitude aproximada de 1.234 m (4.049 pés), fluindo inicialmente para o sul através das terras altas de Angola. Em seguida, alcança a fronteira com a Namíbia, onde vira para o oeste, formando parte da fronteira internacional por cerca de 325 km (202 milhas), antes de continuar até o Oceano Atlântico. Seu comprimento total é de 945 km (587 milhas), com 960 km relatados em algumas fontes, possivelmente refletindo diferentes métodos de medição, mas 945 km é consistente com o relato detalhado da Britannica. O curso inclui a passagem pela porção norte do Deserto do Kalahari, onde inunda areias na estação chuvosa, e depois deságua no Deserto do Namibe, entrando no Atlântico em cerca de 17° 18′ S, 11° 40′ E. Características notáveis ao longo do curso incluem as Quedas de Ruacana, com uma queda de 70 m (230 pés), e as Quedas de Epupa, com mais de 30 m (100 pés) de altura, localizadas a 190 km a montante da foz, conhecidas por sua beleza cênica e biodiversidade.

Área da Bacia e Vazão

A bacia de drenagem do Rio Cunene cobre 106.560 km² (41.140 milhas quadradas), conforme relatado em várias fontes, com contribuições de Angola e Namíbia, caracterizada por padrões climáticos diversos, com precipitação abundante nas partes superiores e escassez de água na bacia inferior. A vazão média anual na foz varia entre 174 m³/s (6.100 pés cúbicos por segundo) e 222 m³/s (7.800 pés cúbicos por segundo), refletindo variações sazonais, com fluxos mais altos durante a estação chuvosa de novembro a abril e mais baixos durante a estação seca de maio a outubro. Algumas fontes sugerem uma bacia de 272.000 km², com 150.800 km² em Angola, possivelmente incluindo sistemas associados, mas 106.560 km² é amplamente aceito para a bacia principal. O rio é um dos poucos rios perenes da região, garantindo um suprimento constante de água em áreas áridas, crucial para ambos os países.

Tributários

O Rio Cunene possui vários tributários, com o Etaka sendo notável, represado pela Barragem de Olushandja para fornecer água à Estação de Energia de Ruacana. Outros tributários incluem Tazua e Ginge, mencionados em relação às atividades de mineração de diamantes, especialmente em Lunda Norte, Angola. O rio atravessa planícies pantanosas entre as fozes de seus tributários, inundadas durante as cheias, contendo vários pequenos lagos em outros períodos, indicando uma rede complexa de corpos d'água. Esses tributários contribuem para o fluxo do rio, com o Etaka especificamente suportando infraestrutura de energia hidrelétrica, enquanto Tazua e Ginge estão associados a atividades econômicas como mineração, adicionando ao uso multifacetado do rio.

Navegabilidade e Obstáculos

A navegabilidade do Rio Cunene é limitada devido ao seu curso através de regiões montanhosas e desérticas, com numerosos cataratas e rápidos, como os próximos à planície costeira, onde a principal queda tem uma descida de 100 m (330 pés). Às vezes é raso e vadeável, em outros momentos confinado a um canal rochoso estreito, especialmente perto do mar, onde atravessa colinas de areia, com a foz frequentemente bloqueada em águas baixas. Embora não seja uma rota de navegação importante, é usado para transporte local em certos trechos, com rápidos até o grau 5 oferecendo oportunidades para rafting, como visto em passeios do Kunene River Lodge, variando de meio dia a viagens de quatro dias com pernoite, incluindo rápidos como Grandma's Featherbed e Judgement Day.

Usos Econômicos e Ecológicos

Economicamente, o Rio Cunene é vital para Angola e Namíbia, particularmente para a geração de energia hidrelétrica. A Estação de Energia de Ruacana, abastecida por água da Barragem de Olushandja no tributário Etaka, e a Barragem de Matala, elevando o rio em 8 m (26 pés) com uma altura de 21 m (68 pés) para fins hidrelétricos, são infraestruturas-chave. Também suporta irrigação, especialmente nas regiões áridas da Namíbia, com as Quedas de Ruacana represadas para energia e irrigação, aumentando a produtividade agrícola. A mineração de diamantes é significativa ao longo de tributários como Tazua e Ginge em Lunda Norte, Angola, tornando o rio um recurso para extração mineral. Ecologicamente, sustenta comunidades locais, notavelmente o povo semi-nômade Himba na Namíbia, que depende dele para criação de gado, ovelhas e cabras, com rebanhos de até 500 por família, sua independência econômica ligada ao rio e à terra. As Quedas de Epupa abrigam espécies endêmicas, bosques históricos de baobás, figueiras e palmeiras, e suportam o ecoturismo, atraindo visitantes por sua biodiversidade e vistas cênicas, embora barragens propostas como Baynes ameacem esses ecossistemas.

Tabela Resumo das Características Hidrográficas

Para facilitar a compreensão, segue abaixo uma tabela resumindo os principais elementos hidrográficos do Rio Cunene, incluindo comprimento, área da bacia, vazão, curso, tributários e navegabilidade:

Característica Detalhes
Comprimento 945 km, com relatos de 960 km em algumas fontes
Área da Bacia 106.560 km², possivelmente 272.000 km² incluindo sistemas associados
Vazão Vazão média anual de 174–222 m³/s na foz, perene
Curso Origina-se a 32 km NE de Huambo, flui S até a fronteira com a Namíbia, W até o Atlântico, através dos desertos Kalahari e Namibe
Tributários Etaka (represado para Olushandja), Tazua, Ginge, outros em planícies pantanosas
Navegabilidade Limitada por rápidos e cataratas, usada localmente, rápidos até grau 5 para rafting

Esta tabela destaca a distribuição e a relevância do rio, enfatizando sua interconexão com a economia e a ecologia de Angola e Namíbia.

Considerações

O Rio Cunene é um recurso vital para Angola e Namíbia, com suas características hidrográficas refletindo sua importância para energia hidrelétrica, irrigação e biodiversidade. Seu comprimento de 945 km, bacia de 106.560 km² e fluxo perene de 174–222 m³/s sustentam comunidades e economias locais, enquanto a mineração de diamantes ao longo de tributários como Tazua e Ginge é um papel econômico inesperado, impactando o uso da terra e a qualidade da água. Desafios incluem barragens propostas como Baynes, ameaçando ecossistemas nas Quedas de Epupa, e variações sazonais de fluxo afetando a navegabilidade, mas seu potencial para desenvolvimento sustentável permanece significativo, posicionando a região com recursos hídricos estratégicos.

Rio Cunene Angola
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