A População de Angola-  os Ovambo


Demografia e Distribuição dos Ovambo

Os Ovambo, também conhecidos como Aawambo ou Ambo, são um grupo étnico banto predominante na Namíbia e presentes no sul de Angola, especialmente na província do Cunene. Estimativas atuais indicam uma população de cerca de 650.000 em Angola, conforme dados do Joshua Project (Joshua Project), representando cerca de 2% da população total angolana. Na Namíbia, o censo de 2023 reporta 1.523.239 Ovambo, correspondendo a 50,4% da população, conforme o relatório oficial (Namibia 2023 Population and Housing Census). Esses números sugerem um crescimento significativo em relação a estimativas históricas, como as mencionadas de 63.000 em Angola e 230.000 na Namíbia, que parecem datar de períodos anteriores, possivelmente do início do século XX, considerando o contexto histórico de resistência colonial.

A distribuição geográfica inclui as planícies arenosas e gramíneas do norte da Namíbia e a província do Cunene em Angola, conhecida como Ovamboland. Essas áreas são caracterizadas por solos planos, sem muitas pedras, e irrigadas por cursos d'água sazonais chamados oshanas, que sustentam a vegetação tropical durante a estação chuvosa.

Economia e Modo de Vida

A economia dos Ovambo é baseada na agricultura e pecuária, adaptada às condições sazonais. Cultivam milhete, sorgo, feijão, abóboras e melões, enquanto a pecuária inclui gado, cabras e ovelhas, com foco na produção de leite em vez de carne. Historicamente, também participaram de caça ao elefante por marfim durante o período colonial, quase levando à extinção local da espécie. Além disso, muitos Ovambo trabalharam como trabalhadores migrantes em cidades sul-africanas, como Cidade do Cabo, devido à escassez de mão de obra sob o regime de segregação racial.

Língua e Identidade Cultural

Os Ovambo falam Oshiwambo, uma língua banto com vários dialetos, incluindo Oshi-ndonga, Oshi-kwambi, Oshi-ngandjera, Oshi-kwaluudhi, Oshi-mbalanhu, Oshi-kolonkadhi, Oshi-kwanyama (Cuanhama), Oshi-unda e Oshi-mbadja. Oshi-kwanyama é particularmente significativo, sendo um dos dialetos escritos e amplamente falado. Além disso, muitos também falam inglês e português, refletindo influências coloniais e pós-independência. A identidade cultural é marcada por um sistema matrilinear de parentesco, aceitação da poliginia (com a primeira esposa tendo status senior) e rituais tradicionais, como danças para fazer chover, cerimônias com ervas e fumaça, lideradas pelo rei tribal como sumo sacerdote. A bebida tradicional, ombike, é feita de frutas como palmeiras makalani, bagas de chacal, espinhos de búfalo, plumas de pássaro e figos em cachos, com variantes urbanas como omangelengele relatadas com aditivos inusitados, como roupas e pneus (New Era).

As habitações tradicionais são complexos de cabanas, como o Ondjugo (cabana da mulher) e o Epata (cozinha), cercados por labirintos murados, refletindo adaptações às condições climáticas sazonais, com inundações durante a estação chuvosa e secas no período seco.

Capital Cultural: Ongiva (N'Giva)

Ongiva, também conhecida como N'Giva, é reconhecida como a capital cultural dos Ovambo, localizada na província do Cunene, Angola. Historicamente, foi um centro administrativo e político, especialmente durante o reinado de líderes como Mandume, e hoje serve como capital administrativa da província, destacando sua importância contínua.

Resistência Histórica e Rei Mandume

Os Ovambo têm uma história de resistência ao colonialismo, particularmente contra os portugueses. Um dos líderes mais notáveis foi o rei Mandume ya Ndemufayo, do subgrupo Cuanhama (Oukwanyama), que liderou a resistência até sua morte em 6 de fevereiro de 1917. Sua luta começou em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, coincidindo com uma seca severa, e incluiu batalhas como a de Omongwa, onde resistiu por três dias a um ataque português. Mandume era conhecido por expulsar missionários cristãos e comerciantes europeus, vendo-os como agentes do imperialismo, e preferiu o suicídio a ser capturado, morrendo sob uma árvore imbondeiro com sua arma Mauser. Seu legado é celebrado em Angola e Namíbia, com memoriais como o Complexo Memorial do Rei Mandume em Oihole, inaugurado em 2002, e homenagens na Namíbia, incluindo o Namibian National Heroes' Acre e uma universidade em Lubango.

Antes de Mandume, a resistência incluiu revoltas armadas contra o domínio sul-africano nas décadas de 1920 e 1930, todas suprimidas pela Union Defence Force. Em 1973, rejeitaram chefes nomeados pela África do Sul, levando ao assassinato do chefe-ministro em 1975, e alcançaram independência em 1990 com o movimento SWAPO. Esses eventos destacam a longa luta dos Ovambo contra o colonialismo e sua influência na política regional.

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